Arquivo da categoria: design

Fuxico Estrela

Hoje vou falar de um trabalho lindo, pouco conhecido, que é chamado de Fuxico Estrela, Hexágono ou Fofoca. Esse lindo trabalho é conhecido por todos esses nomes e como a sua construção tem um pouco de tudo isto do qual é batizado, fica difícil saber qual é o nome correto.

IMG_5980

Fuxico Estrela

Estava eu nas minhas andanças olhando artesanato com minha amiga querida e também apreciadora de coisas lindas, Cristiana Tejo, no Centro de Artesanato de Pernambuco, no Recife, quando me deparei com dois desses trabalhos no meio das pilhas de colchas de crochê,  de linhas e patchwork. Fiquei com um e Cristiana com o outro. Tal era nosso encantamento que uma recepcionista se aproximou e falou que se tratava do artesanato chamado de “Fofoca”. Eu já conhecia o Fuxico, quem não o conhece?

Diz a lenda que o Fuxico surgiu há anos trazidos pelos escravos. Quando eles se juntavam para costurar, usavam as sobras dos tecidos dos seus senhorios e aproveitavam para fazer fuxico dos mesmos. Fuxico pelo dicionário quer dizer: futrica, intriga, mexerico.  E também: cerzidura ou remendo malfeito.

FullSizeRender (6)

Fuxico

Os produtos em questão eram caminhos de mesa com a elaboração de flores em hexágono, sem emendas. Pensei: meu Deus, essa peça tem a sofisticação de um origami, como se faz isso? Comprei e levei para casa para analisar melhor. Com enorme curiosidade desmanchei uma das florzinhas e vi que se tratava  de um hexágono com dobraduras, como eu já havia previsto. Tentei repetir em outro tecido amassando a peça, passando ferro e não consegui chegar a um resultado satisfatório. Pensei comigo, deve haver uma lógica para sua construção, por mais difícil que possa parecer a confecção, há uma lógica!

O legal nos produtos do Centro de Artesanato é que eles colocam em cada um deles uma etiqueta do artesão, de onde ele é e o seu telefone. Lá estava o nome de D. Maria José e, por sorte minha, ela morava em Olinda. Liguei para ela e elogiei o trabalho, falei que queria aprender como fazia aquela belezura e se ela poderia me ensinar. Ela me falou que participava de uma “cela” na Casa da Cultura do Recife, com um grupo de Terceira Idade.

A Casa da Cultura, para quem não conhece é um prédio lindo em estilo Neoclassico que foi a antiga Casa de Detenção do Recife. Inaugurada em 1855, foi o projeto mais inovador de prisão àquela época, não só pelo seu estilo arquitetônico, mas também pelo seu funcionamento. Havia uma preocupação com a inserção da instituição na vida social do bairro e até da cidade, inclusive conta-se que o melhor pão da região era aquele produzido pelas mãos dos detentos na panificadora do presídio. E os pentes de chifre e as coleções de jogo de botão fabricados ali tinham fama pela sua qualidade. Além disso, o primeiro estandarte do Vassourinhas foi bordado também dentro do presídio. Tudo isso sem falar que os detentos ainda formavam times de futebol e tinham uma biblioteca à sua disposição. Em 1973 a Casa de Detenção foi desativada e restaurada por Lina Bo Bardi e Jorge Martins Junior, sendo inaugurada em 1976 como Casa da Cultura de Pernambuco. Suas celas viraram lojinhas de artesanato e foi lá numa delas que eu encontrei D. Maria José com outras senhoras que realizam e comercializam seus respectivos artesanatos.

Fui recebida com muito carinho. Ela ficou emocionada pelos meus elogios. É interessante aqui apontar que figuras como D. Maria José, que possuem um talento enorme, não conseguem perceber o quão importante é aquilo que fazem. Talvez porque no geral as pessoas não dão muito valor ao artesanato; talvez por conta, no caso específico dela, que fez por muito tempo o seu artesanato escondido, pois o seu marido não a deixava trabalhar; ou talvez porque, apesar da sofisticação encontrada em alguns artesãos, a grande maioria ainda faz seus produtos para um publico específico, o popular, aos moldes do que é vendido em feirinhas de artesanato em todo o país. Carecem de uma percepção maior na harmonia das cores, dos pontos e nas misturas de materiais. Por exemplo, ela me mostrou o mesmo trabalho do hexágono com uma mistura de crochê, que não combinavam entre si, até brigavam. Mas não cabia a mim interferir, esse é o universo delas! E embora eu tenha tido uma enorme vontade de dar alguns “pitacos” sobre o que eu achava mais interessante para a confecção, tive de me conter, pois eu ali era uma convidada e curiosa do saber que elas detinham. Descobri que apesar de pensar diferente do seu universo, há público para o que elas fazem. Tanto que no tempo em que permaneci lá aprendendo o hexágono, os turistas interessados nos produtos delas chegavam aos montes.

IMG_5988

Feito por mim e ainda em construção

Enfim, como eu previa. Havia uma lógica para a construção daquela singela de florzinha e eu aprendi!!!  Ela falou que o nome “Fofoca” é dado a um outro ponto parecido com o “Colméia” ou “Casa de Abelha”. A generosidade de D. Maria José foi tamanha que acabei comprando o que podia dela, pois queria de alguma forma retribuir tamanha gentileza. Quando perguntei se ela aceitava encomenda, ela me respondeu: “minha filha, meus dedos já estão duros e doem muito. Eu te ensinei para você mesma fazer, porque fica difícil para mim pegar muitas coisas hoje em dia para fazer”. Então eu pensei, que pena! D. Maria José, com todo seu talento, começou a produção com a limitação de esconder do marido. Agora que ela já não escondia mais e que conseguiu sair de casa e participar de um grupo vendendo o seu trabalho, tem outra limitação muito pior que a primeira, a da dificuldade física. Mundo injusto esse nosso! Nunca vou me esquecer da sua generosidade e gentileza. O mundo precisa de mais pessoas assim!

 

 

 

Anúncios

navegar é preciso…pedras portuguesas nas ondas desse mar

Você sabia que a calçada tão famosa no mundo todo, a de Copacabana, é idêntica a uma outra na cidade de Manaus e outra no outro lado do Atlântico? Isso sem contar que o seu desenho é encontrado e replicado em todo mundo em vários suportes, de revestimento de piso ao teto, em objetos e até acessórios de moda. Assim, em escala, talvez seja o terceiro ícone propagado como um símbolo máximo da cidade do Rio de Janeiro, atrás do Cristo Redentor e do Pão de Açúcar.

burle-marx-zanzibar-costumes-ca-1900-copy1

Fotografia sem crédito

Pois a história desta calçada ícone e não única é bem curiosa e eu fui atrás para poder contar aqui.

Nas minhas andanças pelo centro do Rio de Janeiro, onde encontramos vários e lindos desenhos nas pedras portuguesas, eu gostava de olhar para chão. Não, não pensem que era medo de tropeçar, embora as pedras portuguesas são ‘vingativas’ nesse sentido, caso não cuidem delas com uma devida manutenção! Na realidade era mesmo paixão em admirar tamanha beleza e arte. As pedras no entorno da Candelária são belíssimas!!!!

Os transeuntes já sabem como andar por elas, principalmente as mulheres que trabalham no Centro, de salto. Vão ao trabalho com sandálias rasteirinhas, e, assim que chegam aos escritórios, colocam os seus sapatos bicos finos e salto agulha, inimigos número um das pedras portuguesas.

Pereira Passos, nas enormes mudanças que realizou no Rio de Janeiro, importou as pedras e o seu know-how para aplicá-las, através dos Mestres Calceteiros portugueses . Descobriu-se posteriormente enormes jazidas de calcário branco e basalto no Brasil, mas a denominação da pedra permaneceu. Hoje, suas extrações são variadas e espalhadas por todo o país, mas é de se destacar o Paraná como um dos maiores fornecedores.

Muitas pessoas pensam que as pedras são de difícil manutenção ou acham que são de “uma época”, então acabam destruindo um trabalho secular, que tem uma duração como nenhum outro material de revestimento, basta ver as antigas e lindas calçadas de Lisboa. Como as pedras não levam cimento e a arte é justamente juntá-las o máximo possível para o bom encaixe, se há necessidade de reparo de alguma coisa abaixo do solo, elas são fáceis para remoção e reposição, sem perda de material.

 

calceteiro

Mestre Calceteiro

Num texto antológico de Cora Rónai para o Globo, em 14 de maio de 2009, ela diz: …A única “desvantagem” das pedras portuguesas em relação aos outros tipos de calçamento é o custo. Elas são muito mais baratas e, por conseguinte, muito menos lucrativas para quem faz as obras. Nós sabemos o que significa o custo Brasil, mas, sinceramente, já estava na hora de isso mudar! Muito melhor e mais barato do que desfazer todas as calçadas e enfear o Rio era criar um curso permanente de calceteiros, que formasse mão de obra especializada no assentamento de pedrinhas. Fazendo a coisa certa, em breve poderíamos até exportar know-how, já que, por acaso, temos as calçadas mais famosas do mundo.

Voltando ao desenho das “ondas” de Copacabana….Tudo começou no outro lado do Atlântico, em 1848. Um piso semelhante foi posto, em padrões ondulantes, por ocasião da construção da Praça de D. Pedro IV, mais conhecida como Praça do Rossio, em Lisboa. Dizem que seu desenho foi escolhido para homenagear o encontro das águas doces do Rio Tejo com o Oceano Atlântico, e que foi um dos primeiros pavimentos com este desenho em Lisboa

Este slideshow necessita de JavaScript.

Voltemos ao Brasil. Em Manaus, a calçada do Largo São Sebastião foi feita em 1901, mas já estava planejada desde a década de 1880, quando o Teatro Amazonas, concluído em 1896, começou a ser pensado. A data que marca a finalização do piso em Manaus está numa nota de rodapé do livro “História do Monumento da Praça de São Sebastião”,  de Mario Ypiranga Monteiro.

prac%cc%a7a-sa%cc%83o-sebastia%cc%83o

Largo de São Sebastião, com Teatro Amazonas, em Manaus. Foto antiga da Biblioteca Virtual do Estado do Amazonas

Baseado na natureza do lugar, os moradores de Manaus falavam que o desenho de sua calçada simbolizava o encontro da água escura do Rio Negro com a água barrenta que chega pelo Solimões. Os rios levam quilômetros para se misturar completamente, formando o Amazonas.

No Rio de Janeiro, enquanto capital do Brasil ainda no início do século 20, vimos a construção da primeira calçada de ladrilhos com os padrões ondulantes. A Avenida Rio Branco, antiga Avenida Central, foi coberta com pedras portuguesas em toda sua extensão.

Na praia de Copacabana a construção foi da mesma época, entre 1905 e 1906, e a referência, dizem, foram as ondas do mar, embora a dureza das ondas posicionadas transversalmente deixasse a desejar na definição de balanço das ondas.

Depois de uma forte ressaca, que acabou com todo seu calçamento, do Leme até o Forte, ela foi reconstruída com suas ondas paralelas ao mar.

 

Este slideshow necessita de JavaScript.

1947

Reconstruída paralelamente ao mar, foto de 1947

Ao contrário do que muitos pensam, ser de Burle Marx o desenho das ondas, o paisagista apenas interviu no paisagismo e desenho do canteiro central, quando foi chamado para modernizar a Avenida Atlântica. A ideia era que os desenhos pudessem ser visto do alto. Ele usou magistralmente pedras coloridas em contraponto ao preto e branco já existente, realizando um diálogo belo entre os desenhos. A avenida então foi alargada e duplicada no fim dos anos 1970 e suas icônicas “ondas” permaneceram com uma pequena mudança no aumento das suas curvas, criando assim o efeito de ‘balanço’ que ficou conhecido no mundo todo.

E assim suas ondas já foram cantadas em prosa e verso, e sua fama ultrapassou os mares e as outras iguais. Copacabana se tornou única!

 

 

 

Cores de amores

A linda coleção “Grades do Recife” é o resultado do trabalho de formação de Jovens Artesãos, projeto do Museu do Homem do Nordeste/Fundação Joaquim Nabuco-Recife

Belas, coloridas e originais, as peças são inspiradas nos arabescos e linhas sinuosas das janelas, portas e sacadas do Recife. Essas fontes foram o ponto de partida para a criação de uma bela coleção de vasos, fruteiras e luminárias, feitas com tramas de linhas e cordas de polipropileno.

grades-12

vaso

grades-11

vaso

 

O trabalho contou com a consultoria e a intervenção do designer mato-grossense, Sérgio J. Matos, que instigou os alunos a observarem seu universo. A partir do registro em fotografia dos gradis das suas moradas, os alunos foram criando os detalhes para o desenvolvimento dos produtos. O objetivo do projeto foi capacitar profissionalmente estudantes de escolas públicas na produção artesanal. Lindo trabalho com os pequenos artesãos e, principalmente, o seu resultado. Os produtos estão a venda na loja do Museu.

images

vaso

bc1c7e01866e80f6c67411ce05265bcd

fruteira

 

 

LxFactory-Lisboa, Bhering-Rio

Fui apresentada pelos queridos amigos que aqui se encontram a esse complexo que se chama LxFactory, na zona de Alcântara, em Lisboa. Lembrei-me imediatamente de dois lugares que têm o mesmo espírito em cidades distintas no Brasil: Rio de Janeiro, com sua Fábrica Bhering e o Recife com a Fábrica Tacaruna. A Bhering, exitosa no tocante à ocupação e ampliação de seus espaços; A Tacaruna, um projeto que resultou num grande fiasco e nunca saiu do papel.

O prédio da Fábrica Bhering é de 1930. Foi uma fábrica renomada de chocolate  de mesmo nome e ainda hoje preserva o maquinário do seu primeiro uso.

Em 2005, inspirado em ocupações de fábricas de Berlim, Londres e Paris, o dono da fábrica resolveu dar um novo uso ao espaço, que estava desativado desde a década de 1990. Aos poucos os alugueis, que eram bem convidativos, começaram a subir por conta do boom imobiliário de 2010 e o local começou a ficar disputado e badalado

Talvez por ser um espaço pensado de maneira despretensiosa e sem qualquer intuito em comum entre os ocupantes, fez com que a pluralidade de linguagens e propostas desenvolvidas independentemente, pudessem dar início à transformação daquele ambiente em um lugar de produção e possíveis trocas. Encontramos ateliês, escritórios de design e arquitetura, estúdios, brechós.

Há três anos, a ocupação artística foi ameaçada de despejo depois de um leilão, mas a Prefeitura do Rio decretou o tombamento e a desapropriação do imóvel, garantindo a permanência do espaço como é hoje.

O segundo espaço, a Fábrica de Tacaruna no Recife, ensaiou algo parecido, mas nunca foi viabilizado, porque o governo do estado de Pernambuco não teve interesse na sua continuidade. Atualmente corre ao largo a intenção de ser um espaço artístico, que abrigaria inclusive a riquíssima coleção de arte de Marcantonio Vilaça. Uma pena, porque como espaço simbólico e físico daria um lindo complexo!

Voltemos a LxFactory, interesse dessa minha postagem. A iniciativa se deu por uma empresa, MainSide, criada para o desenvolvimento de projetos de investimento imobiliário em reabilitação e revitalização nos centros urbanos.

Foi um ‘casamento’ interessante entre um grupo que tinha interesse nessa reabilitação e pessoas que procuravam espaços para desenvolver suas áreas específicas.

A  LxFactory é uma fábrica de experiências onde é possível intervir, pensar, produzir, apresentar ideias e produtos num único lugar. É uma ilha criativa ocupada por empresas e profissionais da indústria. Também tem sido cenário de um diverso leque de acontecimentos nas áreas da moda, publicidade, comunicação, multimídia, arte, arquitetura, música, etc. gerando uma dinâmica que tem atraído inúmeros visitantes a redescobrir esta zona da cidade. 

A LxFactory é um projeto inovador e criativo, que nasceu no auge da crise em Portugal e foi desenvolvido como uma resposta ao momento que o país vivia e ainda vive, assim como boa parte da Europa. É nas crises que surgem as melhores oportunidades!

O espaço total tem cerca de 23.000m2, e ainda existe alguma disponibilidade residual de rotação, com valores que variam entre 8€/m2 e 12€/m2 dependendo da localização dentro do complexo, da área, do espaço.

Funcionam mais de 200 empresas, o que dá um movimento aproximado de 2200 pessoas por dia. Existem escritórios de restauração, design, moda, publicidade, arquitetura, fotografia, assim como cabeleireiro, escolas de arte, entre muitas outras atividades, como exposições, instalações, concertos e festas. Bares, restaurante e cafés charmosos.

O objetivo da LxFactory é continuar a crescer qualitativamente, sendo um espaço pioneiro de experiências, com a mesma flexibilidade que teve desde o início da sua própria criação.

 

IMG_2651

 

 

 

 

 

Passado e Presente num só lugar-Guimarães

Até onde meus olhos puderam alcançar nesse além mar, Guimarães foi a cidade que mais me deixou encantada. Sabe aquela sensação de pertencimento, como se você já tivesse vivido ali em outras vidas? Ou como se a sensação sentida ao conhecê-la fosse uma antecipação do tempo ao fato em si. Pois bem, essa impressão me acomete vez por outra em algumas cidades, e a sentimento é de bem estar e envolvimento.

13029503_492879440908624_5839864431849023352_o

Loja Casa da Senhora Aninhas

Guimarães é uma cidade medieval, distrito de Braga, conhecida como “Berço da Nação” e primeira capital do Reino de Portugal. Fundada em 1128, ela foi reconhecida pela UNESCO, em 2001, como Patrimônio Mundial. Em 2012 foi considerada a Capital Europeia da Cultura.

Do Paço do Duque, com seus ambientes escuros de pedra, às ruínas do Castelo, tudo é muito bem cuidado, a cidade é limpa e arborizada. Caminhando uma ladeirinha abaixo desses monumentos, nos deparamos com vielas, ruas e praças, lindíssimas! É bom se perder nas vielas, que parecem paradas no tempo, embora a cidade seja viva e suas edificações sirvam de moradia e comércio.

 

Ao descer a rua de São João ( a escolha foi aleatória, não sigo mapas, vou me deixando levar como um flâneur) me deparo com uma loja que tem tudo a ver com “ O segredo dos meus olhos”. A loja se chama “Centro de Artes e Ofícios Casa da Senhora Aninhas”.

Um lugar despojado e charmoso, que mais parece um atelier de artista. Você entra e encontra os produtos em cima de uma grande mesa central e nas prateleiras e paredes, pendurados em cabides, despojadamente. As peças são de artistas e designers de Portugal. Fui aos poucos acostumando o olhar e vendo cada peça individualmente, tal a enorme quantidade de coisas lindas juntas.

Colares, alfinetes (broches), anéis, mantas, cerâmicas, escultura e tantas outras coisas no mesmo lugar. As peças artesanais como, mantas, lenços, bolsas, são feitas com a cooperação de artesãos de comunidades da região do Minho e de outras regiões de Portugal. Todas genuínas da tradição Portuguesa, mas com um “toque” contemporâneo. Muitas peças feitas em teares dos artesãos daqui se assemelham com o trabalho dos nossos artesãos de Tacaratu, Pernambuco e de outras regiões do Brasil que têm ainda o uso manual de teares.

Sonia, que me atendeu muito bem quando pedi permissão para poder fotografar, comentou como ficava encantada de poder buscar esses produtos em todo o Portugal e, que, muitas vezes, gostaria de abarcar um numero maior de coisas lindas produzidas pelo país. Imagino como deve ser difícil fazer essa curadoria, tal qual no Brasil, que também possui uma imensa gama no artesanato, com materiais distintos. Quando falei da riqueza do nosso artesanato e dos artistas /designers / artesãos, que fazem a junção dos seus saberes nesse mesmo espírito da loja, ela falou que tinha interesse de conhecer mais coisas do Brasil e que conhecia a designer Mana Bernardes. Falamos dos impostos exorbitantes para exportação praticados no país…..Ah meu Brasil, quanta dificuldade de podermos apresentar nossas riquezas para o mundo!

Então, para os que estão em viagem para Portugal, Guimarães é uma cidade imperdível de se conhecer e se perder no tempo. E a loja “Centro de Artes e Ofícios Casa da Senhora Aninhas”, um respiro contemporâneo incrustado no coração da cidade. Passado e presente num só lugar.

 

 

 

 

 

A VIDA PORTUGUESA

O segredo dos meus olhos está além mar…

E nada melhor para começar do que mostrar uma loja genuinamente portuguesa, ela se chama “A VIDA PORTUGUESA”.

IMG_2448

Pense numa loja onde se encontra tudo o que vc puder imaginar….se vc quiser presentear alguém e não tem inspiração, vá a loja e irá se perder de tantas opções! Qualquer coisa comprada lá é de um bom gosto incrível! Uma festa para os olhos. Muita informação em apenas um lugar. Lá você encontra da pasta de dente ( com embalagem belíssima), à lata de sardinha; dá louça, à roupa; dá bebida, a lápis e cartilhas….O mais impressionante é que tudo é feito aqui e a loja é um inventário das marcas sobreviventes no tempo.

Há uma pesquisa linda feita do Norte ao sul de Portugal. São produtos que atravessaram o tempo preservando as mesmas embalagens originais, que são lindas!!

Os produtos falam sobre um povo e a sua história, seus gostos, e é revelador da identidade Portuguesa.

A loja ganhou o Prêmio Loja do Ano da Time Out Lisboa 2013, merecidamente!

http://www.avidaportuguesa.com/lojas/chiado_1

Couro Vegetal e sua beleza em Berlim

Vou falar de um lugar onde a arte prolifera a todo momento e se respira cultura em todo canto.

Há exatos 15 anos fazendo uma deriva no bairro do Mitte, antigo lado oriental de Berlim, que, com a queda do muro, passou a ter um desenho multicultural, encontrei essa loja e fiquei fascinada.

ab_03

Mitte é fashion e cheio de comprinhas legais para fazer. Nisso, por sinal, Berlim é uma tentação. Com sua estética atraente, este lado da cidade conta com verdadeiros achados. O bairro de Mitte (que, em alemão, significa “centro” ou “meio”) com muitas lojas, estilo até dizer chega e galerias de arte transbordando novidades, é uma verdadeira festa para os olhos.

A cidade respira arte, e isso se reflete na proposta “do it yourself” (DIY), de muitos designers alemães que vendem seus trabalhos originais nas suas ruas.

A simplicidade e a proposta da loja eram encantadoras. Você via todo o fazer, desde a confecção, até o produto final. Havia no espaço central as máquinas, os estoques, além do produto pronto. A loja tinha um charme inigualável. Comprei uma bolsa (caríssima!!!!!) que ainda hoje uso e faz um enorme sucesso. Já batizaram-na de bolsa de “Bruxa “, devido ao seu formato de cone. Aonde vou com ela, mesmo já bastante velhinha, chama a atenção.

Como não sou ligada à grifes, compro o que me encanta, seja na região da Saara aqui no Rio, na 25 de Março, em Sampa, ou em lojas como essa de Berlim.

Odeio rótulos estampados nos produtos (não sou paga para fazer propaganda gratuita!!!), além de achar certo exagero, quando algumas marcas estampam suas logos enormes nos seus produtos. Acho uma coisa cafonérrima, ao contrário de tantas pessoas que os usam justamente porque acreditam que há “valor agregado”, mesmo até com produtos falsos! Então passei esse tempo todo sem saber quem era o designer ou a “grife ” da tal bolsa.

Tive a curiosidade, depois desses 15 anos, apenas para escrever este texto. Pela primeira vez revolvi a bolsa até encontrar um caminho. Achei o nome Penthesileia, grifado no couro. Como sou uma curiosa, fui de novo procurar o significado desse nome e ver se encontrava uma pista da tal loja.

IMG_2270

Minha bolsa de “Bruxa”

Na mitologia grega, Penthesileia foi uma rainha amazônica…e aí tem toda uma historinha….mas ainda não me dava o caminho.

Santo Google!

Descendo mais um pouquinho a página pesquisada, encontro o nome de Anke Runge Berlin, e, quando vi as fotos da loja, voltei na máquina do tempo. Lá estava ela, idêntica como conheci. Como é bom ter um país com economia e cultura sólidas, não? As lojas não fecham!

ab_04

Na realidade o nome grego grifado na minha bolsa foi dado à época da fundação da loja/atelier em 1997. Posteriormente foi mudado para o nome da designer.

Ainda me ocorreu uma lembrança que tive ao comprar a bolsa. Foi falado que era um produto que tinha a sustentabilidade como mote para sua confecção. O couro era vegetal. Fiquei super alegre de portar algo que tinha a ver com sustentabilidade, além de ser lindo!

A designer também trabalha com couro de animais em conformidade com as diretrizes da UE. Os de origem vegetal são a mistura de restos orgânicos de couro reciclados e colados com látex.

ab_06

Recentemente vi uma matéria interessante onde o “ couro “ era feito de fibras de abacaxi.

http://novo-mundo.blogs.sapo.pt/tecido-feito-de-fibras-de-abacaxi-pode-65812

Feliz em poder acreditar que podemos criar coisas lindas com um mundo melhor!

 

 

Anke Runge Berlin-Tucholskystraße 31;

info@ankerunge-taschen.de