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A VIDA PORTUGUESA

O segredo dos meus olhos está além mar…

E nada melhor para começar do que mostrar uma loja genuinamente portuguesa, ela se chama “A VIDA PORTUGUESA”.

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Pense numa loja onde se encontra tudo o que vc puder imaginar….se vc quiser presentear alguém e não tem inspiração, vá a loja e irá se perder de tantas opções! Qualquer coisa comprada lá é de um bom gosto incrível! Uma festa para os olhos. Muita informação em apenas um lugar. Lá você encontra da pasta de dente ( com embalagem belíssima), à lata de sardinha; dá louça, à roupa; dá bebida, a lápis e cartilhas….O mais impressionante é que tudo é feito aqui e a loja é um inventário das marcas sobreviventes no tempo.

Há uma pesquisa linda feita do Norte ao sul de Portugal. São produtos que atravessaram o tempo preservando as mesmas embalagens originais, que são lindas!!

Os produtos falam sobre um povo e a sua história, seus gostos, e é revelador da identidade Portuguesa.

A loja ganhou o Prêmio Loja do Ano da Time Out Lisboa 2013, merecidamente!

http://www.avidaportuguesa.com/lojas/chiado_1

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Um respiro para a alma

Estou sem escrever desde a semana passada. O motivo é a falta de ânimo pela atual conjuntura que estamos vivendo. A pergunta é: como escrever sobre alguma coisa bonita no meio de uma tempestade?

Nos dias atuais, se a pessoa tem um mínimo de sensibilidade, a tendência da alma é ficar doente. Não podemos abrir as redes sociais, a internet, conversar com amigos, sem falar do que está acontecendo nas nossas vidas com essas mudanças radicais que estão acontecendo. Às vezes dá vontade de estar numa ilha deserta, mas onde seria esse oásis? Como poderíamos nos isolar do que nos constitui?

Por isso a postagem que decidi para hoje é falar sobre algo que me deu respiro n’alma e uma comunhão com algo superior, que, na condição de agnóstica, não sei bem explicar.

Esse encanto se deu ao visitar o Sítio de Burle Marx em Barra de Guaratiba, aqui no Rio de Janeiro. Para a visita é necessário o agendamento por email. Nunca gostei de visitas guiadas, prefiro às derivas com surpresas sem programação definida. É assim que conhecemos melhor os lugares, andando, se perdendo, mirando. Entendo a mirada como algo diferente de apenas olhar, ela enxerga com a alma! Foi necessária a visita guiada para conhecer bem o sítio. No meio daqueles caminhos tinha que haver alguma disciplina, e, apesar de amar a natureza e adorar plantas, não sou uma conhecedoras de muitas espécies, achei interessante poder ser guiada e saber seus nomes.

Pois bem, além da natureza que contamina qualquer ser insensível, há os espaços físicos onde Burle Marx vivia, de uma simplicidade inigualável! O bom gosto permeava tudo o que ele tocava. Lá também constatamos que realmente ele foi um pioneiro no paisagismo brasileiro ao colocar nos seus projetos plantas tropicais, inclusive, para horror de muitos, os nossos cactos.

Além de ser mais conhecido como paisagista, Burle Marx era múltiplo na sua incansável criatividade. Pintor, desenhista , designer de jóias e tapeçarias, além de ser um exímio cozinheiro! Encontramos livros de suas receitas para vender no sítio.

Merecidamente está acontecendo agora uma retrospectiva, no Museu Judaico, em NY, de todo esse seu universo artístico, com 140 obras. Não fiquem tristes, essa exposição ainda irá para Berlim, mas chegará ao Brasil em 2017, no MAR- Museu de Arte do Rio.

Enquanto ela não chega, poderemos sempre ver “pedacinhos’ de Burle Marx em vários lugares por aqui, da calçada de Copacabana ao Aterro do Flamengo, esse seu lindo Sítio. Além de tantos outras intervenções que ele fez no Brasil afora.

A importância do olhar sensível do artista é dita nesta frase:

“Tenho influência de tudo o que vi ao longo da vida. Do homem pisando na lua, do que Einstein falava, de Donatello, Braque e Picasso”

Precisamos olhar o mundo com mais ‘miradas’, só assim poderemos ampliar nosso leque de encantamento, mesmo que a vida teime em nos dizer o contrário.

Sítio Burle Marx- Estrada Roberto Burle Marx, nø2019-Barra de Guaratiba- tel 24111412- visitas.srbm@iphan.gov.br

 

 

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Quando estive em Nova York, na década de 1980, fui ao Whitney Museum na sua antiga sede, em Upper East Side, e fiquei extasiada com a obra Calder’s Circus, de Alexander Calder.

Além das peças expostas do Circo, havia um vídeo do próprio artista manipulando seus personagens. A engenhoca funcionava super bem! Fiquei imaginando o próprio Calder elaborando cada personagem, da dançarina do ventre ao atirador de facas; do equilibrista ao domador de leão, cada qual com detalhes sutis nas suas vestimentas e nos seus movimentos. O resultado era uma alegria para os olhos e a volta às brincadeiras da infância. Ele mesmo parecia uma criança ao encenar seus personagens.

Voltei recentemente a Nova York e fui ao novo Whitney. Belo prédio à beira do Rio Hudson, criado pelo arquiteto Renzo Piano e inaugurado em 2015. Fala-se que, a princípio, havia apenas a ideia de uma ampliação da antiga sede, mas a vizinhança do aristocrático bairro de Upper East Side bateu o pé e não permitiu.

Nessa mesma época, a prefeitura de Nova York realizava uma enorme transformação em uma velha linha férrea, ao sul de Manhattan, a High Line. Esta linha passava por uma área de matadouro, frigoríficos e de grandes galerias de arte contemporânea, que foram ocupando aos poucos alguns dos antigos galpões. Veio a calhar a mudança! A prefeitura então ofereceu um terreno para ser construído o novo museu. A área se valorizou ainda mais com toda essa reforma.

Tive o prazer de rever o Circo. A emoção de tantos anos ainda estava à flor da pele. Acredito que as recordações boas vem em lufadas de ar de tempos em tempos. Há um estado de êxtase quando nos deparamos com algumas manifestações artísticas, que mais parece um efeito de alguma droga. A arte tem o dom de fazer isto! Mexe conosco, traz novos sentimentos, nos faz refletir e pensar de uma maneira diferenciada sobre a vida. Nos alimenta de um tipo de gás hélio que nos faz levitar…