Couro Vegetal e sua beleza em Berlim

Vou falar de um lugar onde a arte prolifera a todo momento e se respira cultura em todo canto.

Há exatos 15 anos fazendo uma deriva no bairro do Mitte, antigo lado oriental de Berlim, que, com a queda do muro, passou a ter um desenho multicultural, encontrei essa loja e fiquei fascinada.

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Mitte é fashion e cheio de comprinhas legais para fazer. Nisso, por sinal, Berlim é uma tentação. Com sua estética atraente, este lado da cidade conta com verdadeiros achados. O bairro de Mitte (que, em alemão, significa “centro” ou “meio”) com muitas lojas, estilo até dizer chega e galerias de arte transbordando novidades, é uma verdadeira festa para os olhos.

A cidade respira arte, e isso se reflete na proposta “do it yourself” (DIY), de muitos designers alemães que vendem seus trabalhos originais nas suas ruas.

A simplicidade e a proposta da loja eram encantadoras. Você via todo o fazer, desde a confecção, até o produto final. Havia no espaço central as máquinas, os estoques, além do produto pronto. A loja tinha um charme inigualável. Comprei uma bolsa (caríssima!!!!!) que ainda hoje uso e faz um enorme sucesso. Já batizaram-na de bolsa de “Bruxa “, devido ao seu formato de cone. Aonde vou com ela, mesmo já bastante velhinha, chama a atenção.

Como não sou ligada à grifes, compro o que me encanta, seja na região da Saara aqui no Rio, na 25 de Março, em Sampa, ou em lojas como essa de Berlim.

Odeio rótulos estampados nos produtos (não sou paga para fazer propaganda gratuita!!!), além de achar certo exagero, quando algumas marcas estampam suas logos enormes nos seus produtos. Acho uma coisa cafonérrima, ao contrário de tantas pessoas que os usam justamente porque acreditam que há “valor agregado”, mesmo até com produtos falsos! Então passei esse tempo todo sem saber quem era o designer ou a “grife ” da tal bolsa.

Tive a curiosidade, depois desses 15 anos, apenas para escrever este texto. Pela primeira vez revolvi a bolsa até encontrar um caminho. Achei o nome Penthesileia, grifado no couro. Como sou uma curiosa, fui de novo procurar o significado desse nome e ver se encontrava uma pista da tal loja.

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Minha bolsa de “Bruxa”

Na mitologia grega, Penthesileia foi uma rainha amazônica…e aí tem toda uma historinha….mas ainda não me dava o caminho.

Santo Google!

Descendo mais um pouquinho a página pesquisada, encontro o nome de Anke Runge Berlin, e, quando vi as fotos da loja, voltei na máquina do tempo. Lá estava ela, idêntica como conheci. Como é bom ter um país com economia e cultura sólidas, não? As lojas não fecham!

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Na realidade o nome grego grifado na minha bolsa foi dado à época da fundação da loja/atelier em 1997. Posteriormente foi mudado para o nome da designer.

Ainda me ocorreu uma lembrança que tive ao comprar a bolsa. Foi falado que era um produto que tinha a sustentabilidade como mote para sua confecção. O couro era vegetal. Fiquei super alegre de portar algo que tinha a ver com sustentabilidade, além de ser lindo!

A designer também trabalha com couro de animais em conformidade com as diretrizes da UE. Os de origem vegetal são a mistura de restos orgânicos de couro reciclados e colados com látex.

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Recentemente vi uma matéria interessante onde o “ couro “ era feito de fibras de abacaxi.

http://novo-mundo.blogs.sapo.pt/tecido-feito-de-fibras-de-abacaxi-pode-65812

Feliz em poder acreditar que podemos criar coisas lindas com um mundo melhor!

 

 

Anke Runge Berlin-Tucholskystraße 31;

info@ankerunge-taschen.de

 

 

 

 

 

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