Arquivo mensal: junho 2016

LxFactory-Lisboa, Bhering-Rio

Fui apresentada pelos queridos amigos que aqui se encontram a esse complexo que se chama LxFactory, na zona de Alcântara, em Lisboa. Lembrei-me imediatamente de dois lugares que têm o mesmo espírito em cidades distintas no Brasil: Rio de Janeiro, com sua Fábrica Bhering e o Recife com a Fábrica Tacaruna. A Bhering, exitosa no tocante à ocupação e ampliação de seus espaços; A Tacaruna, um projeto que resultou num grande fiasco e nunca saiu do papel.

O prédio da Fábrica Bhering é de 1930. Foi uma fábrica renomada de chocolate  de mesmo nome e ainda hoje preserva o maquinário do seu primeiro uso.

Em 2005, inspirado em ocupações de fábricas de Berlim, Londres e Paris, o dono da fábrica resolveu dar um novo uso ao espaço, que estava desativado desde a década de 1990. Aos poucos os alugueis, que eram bem convidativos, começaram a subir por conta do boom imobiliário de 2010 e o local começou a ficar disputado e badalado

Talvez por ser um espaço pensado de maneira despretensiosa e sem qualquer intuito em comum entre os ocupantes, fez com que a pluralidade de linguagens e propostas desenvolvidas independentemente, pudessem dar início à transformação daquele ambiente em um lugar de produção e possíveis trocas. Encontramos ateliês, escritórios de design e arquitetura, estúdios, brechós.

Há três anos, a ocupação artística foi ameaçada de despejo depois de um leilão, mas a Prefeitura do Rio decretou o tombamento e a desapropriação do imóvel, garantindo a permanência do espaço como é hoje.

O segundo espaço, a Fábrica de Tacaruna no Recife, ensaiou algo parecido, mas nunca foi viabilizado, porque o governo do estado de Pernambuco não teve interesse na sua continuidade. Atualmente corre ao largo a intenção de ser um espaço artístico, que abrigaria inclusive a riquíssima coleção de arte de Marcantonio Vilaça. Uma pena, porque como espaço simbólico e físico daria um lindo complexo!

Voltemos a LxFactory, interesse dessa minha postagem. A iniciativa se deu por uma empresa, MainSide, criada para o desenvolvimento de projetos de investimento imobiliário em reabilitação e revitalização nos centros urbanos.

Foi um ‘casamento’ interessante entre um grupo que tinha interesse nessa reabilitação e pessoas que procuravam espaços para desenvolver suas áreas específicas.

A  LxFactory é uma fábrica de experiências onde é possível intervir, pensar, produzir, apresentar ideias e produtos num único lugar. É uma ilha criativa ocupada por empresas e profissionais da indústria. Também tem sido cenário de um diverso leque de acontecimentos nas áreas da moda, publicidade, comunicação, multimídia, arte, arquitetura, música, etc. gerando uma dinâmica que tem atraído inúmeros visitantes a redescobrir esta zona da cidade. 

A LxFactory é um projeto inovador e criativo, que nasceu no auge da crise em Portugal e foi desenvolvido como uma resposta ao momento que o país vivia e ainda vive, assim como boa parte da Europa. É nas crises que surgem as melhores oportunidades!

O espaço total tem cerca de 23.000m2, e ainda existe alguma disponibilidade residual de rotação, com valores que variam entre 8€/m2 e 12€/m2 dependendo da localização dentro do complexo, da área, do espaço.

Funcionam mais de 200 empresas, o que dá um movimento aproximado de 2200 pessoas por dia. Existem escritórios de restauração, design, moda, publicidade, arquitetura, fotografia, assim como cabeleireiro, escolas de arte, entre muitas outras atividades, como exposições, instalações, concertos e festas. Bares, restaurante e cafés charmosos.

O objetivo da LxFactory é continuar a crescer qualitativamente, sendo um espaço pioneiro de experiências, com a mesma flexibilidade que teve desde o início da sua própria criação.

 

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Passado e Presente num só lugar-Guimarães

Até onde meus olhos puderam alcançar nesse além mar, Guimarães foi a cidade que mais me deixou encantada. Sabe aquela sensação de pertencimento, como se você já tivesse vivido ali em outras vidas? Ou como se a sensação sentida ao conhecê-la fosse uma antecipação do tempo ao fato em si. Pois bem, essa impressão me acomete vez por outra em algumas cidades, e a sentimento é de bem estar e envolvimento.

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Loja Casa da Senhora Aninhas

Guimarães é uma cidade medieval, distrito de Braga, conhecida como “Berço da Nação” e primeira capital do Reino de Portugal. Fundada em 1128, ela foi reconhecida pela UNESCO, em 2001, como Patrimônio Mundial. Em 2012 foi considerada a Capital Europeia da Cultura.

Do Paço do Duque, com seus ambientes escuros de pedra, às ruínas do Castelo, tudo é muito bem cuidado, a cidade é limpa e arborizada. Caminhando uma ladeirinha abaixo desses monumentos, nos deparamos com vielas, ruas e praças, lindíssimas! É bom se perder nas vielas, que parecem paradas no tempo, embora a cidade seja viva e suas edificações sirvam de moradia e comércio.

 

Ao descer a rua de São João ( a escolha foi aleatória, não sigo mapas, vou me deixando levar como um flâneur) me deparo com uma loja que tem tudo a ver com “ O segredo dos meus olhos”. A loja se chama “Centro de Artes e Ofícios Casa da Senhora Aninhas”.

Um lugar despojado e charmoso, que mais parece um atelier de artista. Você entra e encontra os produtos em cima de uma grande mesa central e nas prateleiras e paredes, pendurados em cabides, despojadamente. As peças são de artistas e designers de Portugal. Fui aos poucos acostumando o olhar e vendo cada peça individualmente, tal a enorme quantidade de coisas lindas juntas.

Colares, alfinetes (broches), anéis, mantas, cerâmicas, escultura e tantas outras coisas no mesmo lugar. As peças artesanais como, mantas, lenços, bolsas, são feitas com a cooperação de artesãos de comunidades da região do Minho e de outras regiões de Portugal. Todas genuínas da tradição Portuguesa, mas com um “toque” contemporâneo. Muitas peças feitas em teares dos artesãos daqui se assemelham com o trabalho dos nossos artesãos de Tacaratu, Pernambuco e de outras regiões do Brasil que têm ainda o uso manual de teares.

Sonia, que me atendeu muito bem quando pedi permissão para poder fotografar, comentou como ficava encantada de poder buscar esses produtos em todo o Portugal e, que, muitas vezes, gostaria de abarcar um numero maior de coisas lindas produzidas pelo país. Imagino como deve ser difícil fazer essa curadoria, tal qual no Brasil, que também possui uma imensa gama no artesanato, com materiais distintos. Quando falei da riqueza do nosso artesanato e dos artistas /designers / artesãos, que fazem a junção dos seus saberes nesse mesmo espírito da loja, ela falou que tinha interesse de conhecer mais coisas do Brasil e que conhecia a designer Mana Bernardes. Falamos dos impostos exorbitantes para exportação praticados no país…..Ah meu Brasil, quanta dificuldade de podermos apresentar nossas riquezas para o mundo!

Então, para os que estão em viagem para Portugal, Guimarães é uma cidade imperdível de se conhecer e se perder no tempo. E a loja “Centro de Artes e Ofícios Casa da Senhora Aninhas”, um respiro contemporâneo incrustado no coração da cidade. Passado e presente num só lugar.

 

 

 

 

 

Mais belíssimos azulejos no Porto, Portugal

Pegando um trem de Porto para Braga me deparo com a belíssima Estação de São Bento, no Porto. Fiquei tão encantada que fui pesquisar sua história. Descobri que ela foi erguida no local do Convento de São Bento da Ave Maria, totalmente destruído para dar lugar à estação que preservou o seu nome. Sua obra começou em 1900 e só foi finalizada em 1916.

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Os azulejos da Estação de São Bento, considerados os mais belos painéis do gênero em Portugal, foram apresentados em agosto de 1915, num total de 551 metros quadrados. Cada painel apresenta uma cena histórica portuguesa diferente, como a entrada triunfal de D. João I e o seu casamento com D. Filipa de Lencastre, no Porto, em 1386; o Torneio de Arcos de Valdevez, em 1140, ou a Conquista de Ceuta, em 1415.

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Além dos motivos históricos e reais, encontramos outros painéis com cenas campestres, do cotidiano e religiosas. Estão estampadas a procissão da Nossa Senhora dos Remédios, em Lamego, a romaria de S. Torcato, em Guimarães ou o transporte do vinho, no Douro.

Finalmente, no átrio encontra-se um friso multicolorido que se dedica exclusivamente em retratar a história dos transportes em Portugal, de forma cronológica. Tanto os painéis únicos, como o friso, foram instalados pela mão do artista português, Jorge Colaço, que na época se afirmava como um dos mais promissores azulejadores portugueses.

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Traçada pela mão do arquiteto portuense José Marques da Silva, e de influência francesa (e portanto o projeto é várias vezes associado erradamente a Gustave Eiffel), a fachada principal da estação está virada para a Praça Almeida Garrett e possui oito linhas terminais e cinco cais, para armazenamento.

Em agosto de 2011, num merecido reconhecimento, a Estação de São Bento foi considerada, pela revista norte-americana “Travel+Leisure”, uma das 16 estações mais belas do mundo. Por esta e muitas outras razões, a Estação de São Bento é um local de passagem obrigatória, onde poderemos nos deleitar com a fantástica azulejaria tradicional portuguesa, no coração da cidade do Porto.

Ao me deparar com tanta beleza quase que perdia o trem….

 

A VIDA PORTUGUESA

O segredo dos meus olhos está além mar…

E nada melhor para começar do que mostrar uma loja genuinamente portuguesa, ela se chama “A VIDA PORTUGUESA”.

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Pense numa loja onde se encontra tudo o que vc puder imaginar….se vc quiser presentear alguém e não tem inspiração, vá a loja e irá se perder de tantas opções! Qualquer coisa comprada lá é de um bom gosto incrível! Uma festa para os olhos. Muita informação em apenas um lugar. Lá você encontra da pasta de dente ( com embalagem belíssima), à lata de sardinha; dá louça, à roupa; dá bebida, a lápis e cartilhas….O mais impressionante é que tudo é feito aqui e a loja é um inventário das marcas sobreviventes no tempo.

Há uma pesquisa linda feita do Norte ao sul de Portugal. São produtos que atravessaram o tempo preservando as mesmas embalagens originais, que são lindas!!

Os produtos falam sobre um povo e a sua história, seus gostos, e é revelador da identidade Portuguesa.

A loja ganhou o Prêmio Loja do Ano da Time Out Lisboa 2013, merecidamente!

http://www.avidaportuguesa.com/lojas/chiado_1

Couro Vegetal e sua beleza em Berlim

Vou falar de um lugar onde a arte prolifera a todo momento e se respira cultura em todo canto.

Há exatos 15 anos fazendo uma deriva no bairro do Mitte, antigo lado oriental de Berlim, que, com a queda do muro, passou a ter um desenho multicultural, encontrei essa loja e fiquei fascinada.

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Mitte é fashion e cheio de comprinhas legais para fazer. Nisso, por sinal, Berlim é uma tentação. Com sua estética atraente, este lado da cidade conta com verdadeiros achados. O bairro de Mitte (que, em alemão, significa “centro” ou “meio”) com muitas lojas, estilo até dizer chega e galerias de arte transbordando novidades, é uma verdadeira festa para os olhos.

A cidade respira arte, e isso se reflete na proposta “do it yourself” (DIY), de muitos designers alemães que vendem seus trabalhos originais nas suas ruas.

A simplicidade e a proposta da loja eram encantadoras. Você via todo o fazer, desde a confecção, até o produto final. Havia no espaço central as máquinas, os estoques, além do produto pronto. A loja tinha um charme inigualável. Comprei uma bolsa (caríssima!!!!!) que ainda hoje uso e faz um enorme sucesso. Já batizaram-na de bolsa de “Bruxa “, devido ao seu formato de cone. Aonde vou com ela, mesmo já bastante velhinha, chama a atenção.

Como não sou ligada à grifes, compro o que me encanta, seja na região da Saara aqui no Rio, na 25 de Março, em Sampa, ou em lojas como essa de Berlim.

Odeio rótulos estampados nos produtos (não sou paga para fazer propaganda gratuita!!!), além de achar certo exagero, quando algumas marcas estampam suas logos enormes nos seus produtos. Acho uma coisa cafonérrima, ao contrário de tantas pessoas que os usam justamente porque acreditam que há “valor agregado”, mesmo até com produtos falsos! Então passei esse tempo todo sem saber quem era o designer ou a “grife ” da tal bolsa.

Tive a curiosidade, depois desses 15 anos, apenas para escrever este texto. Pela primeira vez revolvi a bolsa até encontrar um caminho. Achei o nome Penthesileia, grifado no couro. Como sou uma curiosa, fui de novo procurar o significado desse nome e ver se encontrava uma pista da tal loja.

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Minha bolsa de “Bruxa”

Na mitologia grega, Penthesileia foi uma rainha amazônica…e aí tem toda uma historinha….mas ainda não me dava o caminho.

Santo Google!

Descendo mais um pouquinho a página pesquisada, encontro o nome de Anke Runge Berlin, e, quando vi as fotos da loja, voltei na máquina do tempo. Lá estava ela, idêntica como conheci. Como é bom ter um país com economia e cultura sólidas, não? As lojas não fecham!

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Na realidade o nome grego grifado na minha bolsa foi dado à época da fundação da loja/atelier em 1997. Posteriormente foi mudado para o nome da designer.

Ainda me ocorreu uma lembrança que tive ao comprar a bolsa. Foi falado que era um produto que tinha a sustentabilidade como mote para sua confecção. O couro era vegetal. Fiquei super alegre de portar algo que tinha a ver com sustentabilidade, além de ser lindo!

A designer também trabalha com couro de animais em conformidade com as diretrizes da UE. Os de origem vegetal são a mistura de restos orgânicos de couro reciclados e colados com látex.

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Recentemente vi uma matéria interessante onde o “ couro “ era feito de fibras de abacaxi.

http://novo-mundo.blogs.sapo.pt/tecido-feito-de-fibras-de-abacaxi-pode-65812

Feliz em poder acreditar que podemos criar coisas lindas com um mundo melhor!

 

 

Anke Runge Berlin-Tucholskystraße 31;

info@ankerunge-taschen.de