Um respiro para a alma

Estou sem escrever desde a semana passada. O motivo é a falta de ânimo pela atual conjuntura que estamos vivendo. A pergunta é: como escrever sobre alguma coisa bonita no meio de uma tempestade?

Nos dias atuais, se a pessoa tem um mínimo de sensibilidade, a tendência da alma é ficar doente. Não podemos abrir as redes sociais, a internet, conversar com amigos, sem falar do que está acontecendo nas nossas vidas com essas mudanças radicais que estão acontecendo. Às vezes dá vontade de estar numa ilha deserta, mas onde seria esse oásis? Como poderíamos nos isolar do que nos constitui?

Por isso a postagem que decidi para hoje é falar sobre algo que me deu respiro n’alma e uma comunhão com algo superior, que, na condição de agnóstica, não sei bem explicar.

Esse encanto se deu ao visitar o Sítio de Burle Marx em Barra de Guaratiba, aqui no Rio de Janeiro. Para a visita é necessário o agendamento por email. Nunca gostei de visitas guiadas, prefiro às derivas com surpresas sem programação definida. É assim que conhecemos melhor os lugares, andando, se perdendo, mirando. Entendo a mirada como algo diferente de apenas olhar, ela enxerga com a alma! Foi necessária a visita guiada para conhecer bem o sítio. No meio daqueles caminhos tinha que haver alguma disciplina, e, apesar de amar a natureza e adorar plantas, não sou uma conhecedoras de muitas espécies, achei interessante poder ser guiada e saber seus nomes.

Pois bem, além da natureza que contamina qualquer ser insensível, há os espaços físicos onde Burle Marx vivia, de uma simplicidade inigualável! O bom gosto permeava tudo o que ele tocava. Lá também constatamos que realmente ele foi um pioneiro no paisagismo brasileiro ao colocar nos seus projetos plantas tropicais, inclusive, para horror de muitos, os nossos cactos.

Além de ser mais conhecido como paisagista, Burle Marx era múltiplo na sua incansável criatividade. Pintor, desenhista , designer de jóias e tapeçarias, além de ser um exímio cozinheiro! Encontramos livros de suas receitas para vender no sítio.

Merecidamente está acontecendo agora uma retrospectiva, no Museu Judaico, em NY, de todo esse seu universo artístico, com 140 obras. Não fiquem tristes, essa exposição ainda irá para Berlim, mas chegará ao Brasil em 2017, no MAR- Museu de Arte do Rio.

Enquanto ela não chega, poderemos sempre ver “pedacinhos’ de Burle Marx em vários lugares por aqui, da calçada de Copacabana ao Aterro do Flamengo, esse seu lindo Sítio. Além de tantos outras intervenções que ele fez no Brasil afora.

A importância do olhar sensível do artista é dita nesta frase:

“Tenho influência de tudo o que vi ao longo da vida. Do homem pisando na lua, do que Einstein falava, de Donatello, Braque e Picasso”

Precisamos olhar o mundo com mais ‘miradas’, só assim poderemos ampliar nosso leque de encantamento, mesmo que a vida teime em nos dizer o contrário.

Sítio Burle Marx- Estrada Roberto Burle Marx, nø2019-Barra de Guaratiba- tel 24111412- visitas.srbm@iphan.gov.br

 

 

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