Dr. Borracha, o guardião da floresta

José Rodrigues, mais conhecido como “Dr. Borracha”, é um artesão/seringueiro/guardião da floresta do Acre. Começou a trabalhar na extração do látex aos 10 anos de idade, ofício que aprendeu com seu pai que também era seringueiro.

Dr. Borracha

José Rodrigues e Lene, sua mulher

Vou mais longe ao dizer que ele é um verdadeiro artista, principalmente por ter conseguido impingir sua marca ao criar suas sandálias/sapatos de látex.

O que diferencia um artesão de outro? É exatamente criar o seu produto, feito da mesma matéria dos demais, com uma personalidade própria. Isso acontece em várias comunidades de artesãos que trabalham com matérias diversas como a borracha, o barro, a palha, a madeira e tantas outras que temos nesse vasto e rico ‘Brasis’. Há sempre expoentes que se destacam pelas singularidades em seus trabalhos.

José mora no meio da floresta, não sabe ler, nunca foi à escola, não tem computador. Mas é mestre em fazer sandálias de borracha a partir da extração da seiva dos seringais acreanos.

Graças a um curso ministrado pela UnB (Universidade Federal de Brasília), ele aprendeu uma técnica em que são produzidas ‘folhas de látex’, as chamadas Folha Semi Artefato (FSA). Essas folhas são produzidas por ele e coloridas com a ajuda da sua mulher Lene.

mantas de látex

folhas coloridas de látex

Suas palavras são poéticas: “o povo do Acre sempre diz que a seringueira é como uma mãe. A gente pega o leite dela para conseguir o leite das nossas crianças. Assim fui criado. Por isso digo que sou um defensor da floresta, pois eu não derrubo a floresta, eu dependo dela pra viver’

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Há uma enorme importância nesta sua fala na medida que vemos uma pessoa consciente do seu dom, conciliando seu produto à preservação da natureza. Isto é o melhor que temos em termos de sustentabilidade: preservar a natureza e ainda retirar lindos ‘frutos’ dela. Ahhh, se todos fossem iguais a você, Dr. Borracha! O mundo seria muito melhor!

É bom lembrar que a figura do seringueiro Chico Mendes ainda permanece nas nossas lembranças como o grande defensor da Amazônia. Assim como Chico, José nos ensina que é possível explorar a natureza com consciência. “Quando casei e cheguei aqui (Epitaciolândia, a 243 km de Rio Branco) o pessoal nem sabia que tinha seringueira na região. Só derrubavam árvore para criar gado”. Aos poucos ele foi ensinando a comunidade a extrair o Látex, que havia tido uma redução de uns 60% da atividade. No passado a extração do látex era uma cultura bastante forte.

José não está só, ao compartilhar com a comunidade o seu saber, ele forma uma cadeia produtiva em torno da cultura do látex. Isto é importante para sua subsistência e para fomentar o desenvolvimento sustentável na região. Não é surpresa ele ter recebido, em 2014, o Prêmio Chico Mendes de Florestania.

Que esse guardião da floresta da Amazonia nos ensine, com a beleza de seus frutos,  a cada vez mais valorizarmos cada pedacinho dela.

sándalias

sandália

 

 

 

 

 

 

 

 

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