Penso que, em tempo sombrio pelo qual estamos passando, fica difícil postar as belezas do mundo. Os amigos cobram a continuidade disso, afinal esse blog foi criado com a intenção de apresentar tantas possibilidades de criação. Então reflito, se de um lado pode parecer supérfluo mostrar alguns encantos dos meus olhos, na atual conjuntura; do outro, a vida pulsa continuamente até nosso ultimo suspiro, e não podemos esmorecer nem perder nossa sensibilidade, nosso encanto e o nosso deslumbramento. Lembro-me das lindas palavras de Otavio Paz:

O artesanato não quer durar milênios nem está possuído da pressa de morrer prontamente. Transcorre com os dias, flui conosco, se gasta pouco a pouco, não busca a morte ou tampouco a nega: apenas aceita este destino. Entre o tempo sem tempo de um museu e o tempo acelerado da tecnologia, o artesanato tem o ritmo do tempo humano. É um objeto útil que também é belo; um objeto que dura, mas que um dia, porém, se acaba e resigna-se a isto; um objeto que não é único como uma obra de arte e que pode ser substituído por outro objeto parecido, mas não idêntico. O artesanato nos ensina a morrer e, fazendo isso, nos ensina a viver

 

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Uma ideia sobre “O Mandacaru, o espinho e a flor

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